Descrição
MULTIFACETADA
Conheci Zanir D’ Oliveira em um A plenos Pulmões, onde, no tempo em que Marco Pezão Ladocico apresentava seu Sarau na Casa das Rosas, que então era chamada “A Casa da Poesia” em São Paulo. Foi impossível não lembrar Pezão e das inúmeras vezes que encontrei Zanir na Casa das Rosas ao ler os poemas de Prisma.
Pezão, cofundador do Sarau da Cooperifa, foi o cara da periferia que levou a chamada “Poesia Periférica” para a área nobre da cidade. Só ele saberia dizer a que custo, da resistência que enfrentou dos dois lados desse cabo de guerra, mas isso é outra história. O que importa é essa fusão que o A Plenos Pulmões promoveu.
A poesia declamada nos Saraus do centro da cidade até então não conversava com a fervilhante cena de saraus de Periferia, mas, a partir dos saraus A Plenos Pulmões, esse diálogo passou a acontecer, enriquecendo os dois lados da cena poética de São Paulo.
Para mim, é essa fusão que está descrita, por exemplo, em Etérea Poesia: “não basta ter erudição/ preciso de sabedoria/(…) para os meus versos compor.”
Zanir D’ Oliveira é poeta nata, representante da Poesia Centro, uma poesia estudada, em que cada palavra está onde deve estar, uma poesia plena de recursos. Zanir é capaz de criar imagens desconcertantes, como em O silêncio da ausência … “ele é aranha que tece/ sua teia e apanha/o pobre incauto inseto/que mora do lado esquerdo do peito que ora pranteia”. Mas tem algo para além de imagens, rimas ou aliterações em Prisma; tem uma malandragem, um jogo de cintura que, para mim, veio desse contato com o Mestre periférico em seu Sarau na Avenida Paulista.
Ouço a voz de Pezão, por exemplo, quando Zanir arremata A mente do poeta, um poema que vai de Pitonisas de Delfos a Shakespeare, com os seguintes versos: “todas estas sedutoras ninfetas/fazem parte do acervo e do verbo/pra poiesis dos versos atordoados/no cérebro aloprado do Poeta”. Mas não são apenas esses dois lados da poesia que encontramos em Prisma. Zanir D’ Oliveira é multifacetada; aqui há denúncia, há humor, há vida e há também a dor da perda descrita com delicadeza rara.Zanir acredita na nobreza do ofício do poeta. Ela sabe por experiência própria que a poesia cura, pois é a poesia essa “refração do real e da fantasia”, que a ajuda a construir o seu “edifício-história”. É a poesia essa “ponte que cruza o abismo/e atravessa sobre a correnteza do rio” que a leva adiante.
Afinal, na poesia, essa filha predileta da Imaginação: “tudo é possível, visto que sua meta/é aliviar a cruz da vida concreta”.
Prisma é um livro que vale ser lido. Aqui a luz não se apaga, mas se revela em cores surpreendentes.
Paulo D’Auria – Formado em História pela USP, Escritor, Poeta e Diretor do Coletivo Poetas do Tietê.
Sobre o livro –Prisma. Autora: Zanir D’Oliveira. Gênero: poesia; versos. 1ª edição. Formato: 14×21 cm, brochura; 78pág., ISBN 978-65-87788-33-3. São Paulo: editora O Artífice. Projeto especial. Sem estoque.
Sobre a autora – Zanir D’ Oliveira, brasileira naturalizada, de origem paraguaia, é autora de diversos livros de poemas: Reminiscências (2015), Confidências (2017), Imanências (2019), encerrando a trilogia, e Poemas em cores (2021). Prisma é seu quinto livro de poesias. Outros poemas seus constam nas várias Coletâneas Poéticas da Sociedade de Poetas; Coletivo Cataversos; e da Antologia Kartonera. Licenciada em Educação Artística, com Habilitação Plena em Artes Cênicas, pela Faculdade de Artes Alcântara Machado (FMU). Pós-Graduação em Gestão de processos Educacionais, na Escola de Comunicações e Artes (ECA) da Universidade de São Paulo (USP), onde defendeu seu projeto Centro Experimental de Teatro Educacional Independente (CETEI), sendo aprovada com distinção e louvor.
Contato da autora: zanirdoliveira@gmail.com






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