{"id":83,"date":"2023-02-22T12:05:39","date_gmt":"2023-02-22T15:05:39","guid":{"rendered":"https:\/\/editoraoartifice.com.br\/blog\/?p=83"},"modified":"2023-02-22T12:22:25","modified_gmt":"2023-02-22T15:22:25","slug":"existe-solidao-prazerosa-sim-quando-se-le-e-quando-se-escreve","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/editoraoartifice.com.br\/blog\/?p=83","title":{"rendered":"Existe solid\u00e3o prazerosa? Sim, quando se l\u00ea e quando se escreve"},"content":{"rendered":"\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"538\" src=\"https:\/\/editoraoartifice.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2023\/02\/ESCRITORES-QUE-ADMIRO-Post-para-Facebook-Paisagem-1024x538.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-85\" srcset=\"https:\/\/editoraoartifice.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2023\/02\/ESCRITORES-QUE-ADMIRO-Post-para-Facebook-Paisagem-1024x538.png 1024w, https:\/\/editoraoartifice.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2023\/02\/ESCRITORES-QUE-ADMIRO-Post-para-Facebook-Paisagem-300x158.png 300w, https:\/\/editoraoartifice.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2023\/02\/ESCRITORES-QUE-ADMIRO-Post-para-Facebook-Paisagem-768x403.png 768w, https:\/\/editoraoartifice.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2023\/02\/ESCRITORES-QUE-ADMIRO-Post-para-Facebook-Paisagem.png 1200w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A leitura e a escritura, atos essencialmente solit\u00e1rios, integram o imagin\u00e1rio. Apesar da ideia de se integrar uma comunidade nas redes sociais, de participar em uma \u2018bolha\u2019 na qual h\u00e1 borbulhas similares, de fato se \u00e9 um ser \u00fanico a mexer em um dispositivo e executar tarefa solo tanto quanto a leitura e a escritura o s\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O que me faz lembrar o escritor argentino Alberto Manguel: \u201cA leitura \u00e9 uma tarefa <a><\/a>confort\u00e1vel, solit\u00e1ria, vagarosa e sensual. A escrita costumava compartilhar algumas dessas qualidades\u201d (Os livros e os dias: um ano de leituras prazerosas, Companhia das Letras), diz o escritor ao olhar para ambos os lados da p\u00e1gina, o verso e reverso das s\u00edlabas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A frase dele vem acompanhada da cr\u00edtica de que o escritor hoje tem certas caracter\u00edsticas de caixeiro viajante e ator de repert\u00f3rio ao ser convocado para fazer apresenta\u00e7\u00f5es em lugares distantes e exaltar os pr\u00f3prios livros como se fossem vassouras ou enciclop\u00e9dias.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Essa met\u00e1fora ex\u00f3tica demonstra a inquieta\u00e7\u00e3o de Manguel com sua agenda de compromissos, quando a \u00fanica coisa que queria fazer era estar em casa lendo, escrevendo, viajando entre seus livros na estante.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ao comparar a pr\u00e9-exist\u00eancia do universo a um estado de potencialidade com o tempo e o espa\u00e7o ainda em suspens\u00e3o com a oferta de v\u00e1rias possibilidades, ele espraia ideia an\u00e1loga \u00e0 exist\u00eancia do pr\u00f3prio livro&#8230; quando ele ainda gravita no plano do sonho, \u201cat\u00e9 que as m\u00e3os que o abrem e os olhos que o percorrem agitam as palavras e as despertam\u201d. A necessidade de polimento tanto na vida como nas palavras dormentes em n\u00f3s e em p\u00e1ginas recolhidas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u00d3bvio que Manguel, em seu livro, compartilha leituras de t\u00edtulos diversos e impress\u00f5es preciosas, como, por exemplo, sobre A inven\u00e7\u00e3o de Morel, de Adolfo Bioy Casares, e a frase de impacto que o abre: \u201cHoje, nesta ilha, aconteceu um milagre\u201d. Abertura perfeita para a pergunta que o leitor far\u00e1 na sequ\u00eancia, ao aceitar o jogo e mergulhar na leitura: \u201cmas qual milagre?\u201d e virar a p\u00e1gina em uma busca alucinada de continua\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Um livro se ergue entre pilares que unem a experi\u00eancia do escrever e a imagina\u00e7\u00e3o do leitor com o lastro de identifica\u00e7\u00e3o entre ambos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Nessa viagem percorrida, Manguel diz que olha para os livros em sua estante e pensa que eles n\u00e3o t\u00eam conhecimento da sua exist\u00eancia; s\u00f3 ganham vida quando ele, leitor, os abre e vira as suas p\u00e1ginas, e mesmo assim eles, os livros, n\u00e3o sabem que ele \u00e9 o seu leitor.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Insci\u00eancia perfeita, mist\u00e9rios liter\u00e1rios! O livro como palimpsesto, um manuscrito a ganhar novos caracteres e significados a cada vez que se reabre um volume ou um e-book e aparenta ser uma hist\u00f3ria repaginada.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Fundamental \u00e9 a vis\u00e3o de Manguel da leitura, quando participou de Fronteiras do Pensamento&#8230; a leitura como um ato de poder, porque o leitor \u00e9 temido em todas as sociedades, bem como o escritor \u2013 ambos ultrapassam a normalidade das fronteiras, estabelecem identidades, questionam, refletem, enxergam al\u00e9m. Pelos mesmos motivos bibliotecas alimentaram fogueiras, mas o livro subsiste \u00e0 crueldade daqueles que temem o conhecimento.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E assim o leitor vai mantendo a possibilidade de singrar por hist\u00f3rias inumer\u00e1veis, seja qual for o dispositivo, f\u00edsico ou digital, \u00e1vido por cultura e educa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Que se abandone o caixeiro viajante da cl\u00e1ssica frase dos romanos, \u201cnavegar \u00e9 preciso, viver n\u00e3o \u00e9 preciso\u201d, indo pra l\u00e1 e pra c\u00e1, e adote-se o contraponto que o poeta portugu\u00eas Fernando Pessoa avidamente faz: \u201cviver n\u00e3o \u00e9 necess\u00e1rio; o que \u00e9 necess\u00e1rio \u00e9 criar!\u201d.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A leitura e a escritura, atos essencialmente solit\u00e1rios, integram o imagin\u00e1rio. <\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":85,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[20],"tags":[16,7,22,17,14],"class_list":["post-83","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-literatura","tag-critica-literaria","tag-dicas-para-escrever","tag-leitura","tag-literatura","tag-resenha-de-livros"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/editoraoartifice.com.br\/blog\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/83","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/editoraoartifice.com.br\/blog\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/editoraoartifice.com.br\/blog\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/editoraoartifice.com.br\/blog\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/editoraoartifice.com.br\/blog\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=83"}],"version-history":[{"count":5,"href":"https:\/\/editoraoartifice.com.br\/blog\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/83\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":90,"href":"https:\/\/editoraoartifice.com.br\/blog\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/83\/revisions\/90"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/editoraoartifice.com.br\/blog\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/85"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/editoraoartifice.com.br\/blog\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=83"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/editoraoartifice.com.br\/blog\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=83"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/editoraoartifice.com.br\/blog\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=83"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}