{"id":5,"date":"2022-08-04T20:11:22","date_gmt":"2022-08-04T23:11:22","guid":{"rendered":"https:\/\/editoraoartifice.com.br\/blog\/?p=5"},"modified":"2023-02-15T19:24:27","modified_gmt":"2023-02-15T22:24:27","slug":"da-carpintaria-das-palavras-aos-ossos-de-borboleta","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/editoraoartifice.com.br\/blog\/?p=5","title":{"rendered":"Da carpintaria das palavras a ossos de borboleta"},"content":{"rendered":"\n<blockquote class=\"wp-block-quote has-light-green-cyan-background-color has-background is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Sabi\u00e1 de setembro tem orvalho na voz. De manh\u00e3 ele recita o sol.&#8221; Ou &#8220;As coisas que n\u00e3o existem s\u00e3o as mais bonitas&#8221;.  <\/p>\n<cite><em>Manoel de Barros<\/em><\/cite><\/blockquote>\n\n\n\n<p class=\"has-background-background-color has-background wp-block-paragraph\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"150\" height=\"267\" class=\"wp-image-9\" style=\"width: 150px;\" src=\"http:\/\/editoraoartifice.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2022\/08\/Solange-2019.jpg\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/editoraoartifice.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2022\/08\/Solange-2019.jpg 1078w, https:\/\/editoraoartifice.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2022\/08\/Solange-2019-169x300.jpg 169w, https:\/\/editoraoartifice.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2022\/08\/Solange-2019-576x1024.jpg 576w, https:\/\/editoraoartifice.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2022\/08\/Solange-2019-768x1366.jpg 768w, https:\/\/editoraoartifice.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2022\/08\/Solange-2019-863x1536.jpg 863w\" sizes=\"auto, (max-width: 150px) 100vw, 150px\" \/><strong>Por Solange S\u00f3lon Borges<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Muitos me perguntam que conselhos eu daria para quem quer enveredar pelos caminhos da escrita. N\u00e3o h\u00e1 mist\u00e9rio nem m\u00e1gica: o conselho segue o mesmo ao longo do tempo. Ter o h\u00e1bito de ler bons autores dos mais diversos g\u00eaneros: poesia, cr\u00f4nica, conto, romance, aventura, fic\u00e7\u00e3o cient\u00edfica, policial, terror, t\u00edtulos infantojuvenis, al\u00e9m dos cl\u00e1ssicos consagrados e n\u00e3o-fic\u00e7\u00e3o, autores nacionais e estrangeiros, livros de hist\u00f3ria, o que for do seu universo de interesse. Leia t\u00edtulos bons e ruins, pois se aprende com ambos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Repert\u00f3rio se cria assim, amplia-se a imagina\u00e7\u00e3o para novos horizontes e se adquire intimidade com a estrutura liter\u00e1ria, encontra-se a pr\u00f3pria voz, o estilo particular de escrita, saber trabalhar tempo e localidade.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O repert\u00f3rio \u00e9 parte importante do processo: voc\u00ea escolhe uma palavra, mas n\u00e3o \u00e9 bem&#8230; aquela que expressa um determinado sentimento e busca outra que melhor se encaixe no texto: \u00e9 \u00f3dio? Ira? F\u00faria? C\u00f3lera? Ang\u00fastia? Braveza? M\u00e1goa? Ferocidade? Irrita\u00e7\u00e3o? Rancor? Repulsa? Braveza? Olha s\u00f3 a riqueza de voc\u00e1bulos nossa l\u00edngua oferece! Qual delas se encaixa melhor em seu texto? Por isso, repert\u00f3rio! Para ter jogo de cintura e saber escolher a palavra mais adequada.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Desse jeito se evita a repeti\u00e7\u00e3o de termos, que sempre significa pobreza de linguagem. At\u00e9 a escolha de um sin\u00f4nimo deve ser avaliada para se encaixar na sua ideia. Tendo-se repert\u00f3rio, a substitui\u00e7\u00e3o de uma palavra por outra se torna algo natural. Lembre-se: repeti\u00e7\u00e3o pode gerar monotonia no andamento da leitura. Uma coisa lenta, chata&#8230;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No par\u00e1grafo anterior, substitu\u00ed \u2018palavra\u2019 por \u2018termo\u2019 e \u2018voc\u00e1bulo\u2019 a fim de evitar o redito, repisar mais do mesmo. A sensibilidade tamb\u00e9m \u00e9 essencial para eleger a express\u00e3o que valorizar\u00e1 a frase, dando ritmo e sentido a ela.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Escrever envolve dois degraus: a fase quente e a fase fria, o que significa que escrever a quente \u00e9 deixar fluir livremente o texto sem preocupa\u00e7\u00e3o com concord\u00e2ncia, coloca\u00e7\u00e3o de v\u00edrgulas, acento e outras querelas gramaticais. Divirta-se nessa fase, cuide da inspira\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A etapa fria\u2019 requer transpira\u00e7\u00e3o mesmo, suar a camisa, trabalhar mais com a l\u00f3gica. \u00c9 quando voc\u00ea considera o texto relativamente pronto e vai dar aquela revisada para ele ficar melhor ainda. \u2018Penteie\u2019 o texto, escove as palavras com carinho, ofere\u00e7a o brilho necess\u00e1rio a uma constru\u00e7\u00e3o bem-feita, avalie forma e conte\u00fado.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Mas, lembre-se, separe os processos. Com a pr\u00e1tica constante, esses mecanismos s\u00e3o incorporados ao labor textual, tornam-se naturais. E a\u00ed \u00e9 poss\u00edvel at\u00e9 subverter estruturas e sentidos, libertar-se da escravid\u00e3o gramatical, dar outro prop\u00f3sito \u00e0s palavras, como faz o sens\u00edvel Manoel de Barros: &#8220;Sabi\u00e1 de setembro tem orvalho na voz. De manh\u00e3 ele recita o sol&#8221;. Ou &#8220;As coisas que n\u00e3o existem s\u00e3o s mais bonitas&#8221;. Metaf\u00edsico, n\u00e3o?<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ou como o genial Jo\u00e3o Guimar\u00e3es Rosa, em seu trabalho <em>Tutam\u00e9ia ou Terceiras Hist\u00f3rias<\/em>, por exemplo: &#8220;Agora, ao p\u00f4r do sol, desciam as canoas \u2013 de enfia-a-fino, serenas, horizonteantes, cheias de rude gente \u00e0 grita, impelidas no reluzente \u2013 de longe, soslonge&#8221; e &#8220;Os olhos p\u00f5em as coisas no cabimento&#8221;. Ou, ainda, \u201cenxadachin\u201d, mescla de enxada com espadachim.&nbsp;Li\u00e7\u00f5es do inventor de palavras Rosa que apostava em sonhizid\u00e3o (um sujeito fadado \u00e0 solid\u00e3o?), outro classificado como \u2018proparox\u00edtono\u2019, al\u00e9m dos copanheiros (companheiros de copo).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-light-green-cyan-background-color has-background wp-block-paragraph\"><strong>Assim, epiloguei, parafraseando Rosa.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Portanto, escrever \u00e9 puro trabalho de carpintaria a limar e nivelar palavras e frases. E isso demanda exerc\u00edcio constante e disposi\u00e7\u00e3o. E n\u00e3o h\u00e1 texto que nas\u00e7a redondamente pronto e n\u00e3o mere\u00e7a certas melhorias para ter coer\u00eancia, eleg\u00e2ncia, ser intelig\u00edvel. Cada um tem o seu pr\u00f3prio processo de escrita. Encontre o seu.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Diversos escritores apontam para a disciplina relacionada ao ato de escrever e, inclusive, o desapego, sinal de maturidade. \u00c0s vezes eles chegam ao fim de um dia de forte labor liter\u00e1rio e jogam fora tudo o que foi escrito para, no dia seguinte, retornar ao ponto inicial. Ou \u2018esquecem\u2019 o texto na gaveta para resgat\u00e1-lo no momento certo. Texto e personagens parecem ter vida pr\u00f3pria. Eles reaparecem quando querem.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-background-background-color has-background wp-block-paragraph\">Se voc\u00ea chegar ao final do dia e, descontente [desafei\u00e7oado, dissaboroso, desgostoso, enfadado, etc.], deletar o que escreveu, n\u00e3o faz mal, n\u00e3o se leve t\u00e3o a s\u00e9rio. No dia seguinte, pegue de novo a lima, o form\u00e3o, o serrote, o prumo, r\u00e9gua e esquadro, arquitete outro texto alicer\u00e7ado em emo\u00e7\u00f5es renovadas e palavras esculpidas. M\u00e3os \u00e0 obra.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-columns is-layout-flex wp-container-core-columns-is-layout-fe36ab8b wp-block-columns-is-layout-flex\">\n<div class=\"wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow\">\n<figure class=\"wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<iframe loading=\"lazy\" title=\"Tutam\u00e9ia de Jo\u00e3o Guimar\u00e3es Rosa\" width=\"500\" height=\"281\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/EgkhesAISeA?start=308&#038;feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe>\n<\/div><\/figure>\n<\/div>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow\">\n<figure class=\"wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<iframe loading=\"lazy\" title=\"Poesia em prosa? Prosa po\u00e9tica? Que g\u00eanero \u00e9 esse?\" width=\"500\" height=\"281\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/-KxMX5jt-68?start=172&#038;feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe>\n<\/div><\/figure>\n<\/div>\n<\/div>\n\n\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&#8220;Sabi\u00e1 de setembro tem orvalho na voz. De manh\u00e3 ele recita o sol.&#8221; Ou &#8220;As coisas que n\u00e3o existem s\u00e3o as mais bonitas&#8221;. Manoel de Barros Por Solange S\u00f3lon Borges Muitos me perguntam que conselhos eu daria para quem quer enveredar pelos caminhos da escrita. 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